terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Imperfeito

Estive pensando sobre essa ideia de "perfeição" que se tem hoje em dia. Não cheguei à nenhuma conclusão. Na verdade, lá pelo meio do caminho da minha reflexão, parei de pensar. Desisti de alcançar um resultado sem falhas, sem furos.

Porém não pude deixar de assinalar que ser perfeito, hoje em dia, é quase uma obrigação para cada um de nós e... Meu Deus! Onde vamos parar assim, hein?




É engraçado, porque quando eu tinha lá meus sete, oito anos, meu maior orgulho era ser diferente de todo mundo em alguma coisa. Mesmo que fosse esquisito ou estranho, eu gostava de ser quem eu era, gostava de ser original. Eu assumia meus erros e imperfeições com o maior orgulho de todas elas, porque eu sabia que era exatamente isso que fazia de cada um único e, acima disso, sabia também que a ideia de um ser humano perfeito incluía viver sobre um mar de imperfeições próprias.

Mas crescemos. Nossas visões de mundo mudam e, enquanto somos massacrados com a ideia de não sermos bons o suficiente, acabamos aprendendo que se não formos milimetricamente impecáveis em cada detalhe da nossa essência, bem... Então, não servimos para sermos quem somos ou fazer o que queremos fazer.

Será que a gente se escuta quando pensa essas besteiras?

Acredito que crescer dessa forma é besteira; criar paranoias dentro da cabeça e viver escravo delas. Bom seria se pudéssemos amadurecer mantendo essa visão pura e realista de uma criança, mas até agora não conheço ninguém que conseguiu tal façanha. Porém não é porque, em teoria, já estamos grandes e maduros, que somos obrigados a conviver com esse fardo eterno da ilusória perfeição.

Nunca é tarde para criar uma revolução moral e rever a forma como nós enxergamos as coisas a nossa volta. Afinal, talvez tenhamos, sim, a obrigação de sermos os melhores. Não em tudo como costumamos cobrar, mas sermos os melhores que nós podemos ser. Mesmo que seja bizarro, mesmo que seja estranho.

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