sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Nós nunca seremos...


    Quem nunca se sentiu deslocado?
    
    Não é a pior coisa que poderíamos sentir no mundo? E, não, eu não estou falando de ser colocado do lado exterior de alguma coisa, mas sim de não se sentir parte integrante de um grupo em que todos acham que você está incluído. E, em teoria, deveria estar mesmo.

    Todo mundo já se sentiu assim, pelo menos uma vez na vida, e é a coisa mais normal do mundo, mas... Se é tão normal, por que não nos conformamos com isso? Nós nos contentamos com tanta coisa ao longo do nosso cotidiano entediante. Ou, em um caso mais extremo, talvez devessem ter inventado algum remédio para nos dopar de nossos próprios sentimentos angustiantes. Afinal, sentir-se deslocado é um tipo de mal-estar...

    Aliás, por que você vai à farmácia comprar remédio para dor de barriga e não para dor de cotovelo? Ou, melhor, por que nós somos tão estupidamente dependente dessas drogas do dia a dia? Todas essas nas quais somos viciados, como remédios, pílulas, álcool, cigarros, internet, amor, atenção, dinheiro... Espera, esse último faz com que esse discurso soe muito socialista ou dá para seguir assim mesmo?

    Com todo respeito aos socialistas, eu não quis soar desse jeito, porque a verdade é que essa discussão de organização econômica se vê em qualquer lugar e, talvez, isso tudo só esteja se referindo a coisas que as pessoas não discutem sobre: elas mesmas. Ou o que elas sentem. Ou em que são viciadas.

    A teoria nisso tudo é que não se tem uma teoria. Apenas a constatação de que não existe "reabilitação" para apaixonados, ambiciosos ou viciados em trabalhos. Talvez, a maioria de nós não sinta a necessidade de se curar de seus desejos loucos e apenas siga com eles, porque, de fato, sem as nossas vontades, quem seríamos nós?

    Mas se nossa ambição faz de nós tão viciados quanto um dependente químico e, mesmo assim, nós continuamos alimentando e cultivando-as ardente e esperançosamente, por que nós não somos considerados ilegais por nós mesmos?

    Talvez surja estranheza por eu simplesmente não responder as perguntas do início e apenas seguir criando outras, que, em nada, se encaixam no padrão do texto, mas, talvez não seguir uma linha de raciocínio muito comum seja o meu inesperado vício.

    E é exatamente por isso que eu não estou a costumada a fazer parte de grupos.    

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Imperfeito

Estive pensando sobre essa ideia de "perfeição" que se tem hoje em dia. Não cheguei à nenhuma conclusão. Na verdade, lá pelo meio do caminho da minha reflexão, parei de pensar. Desisti de alcançar um resultado sem falhas, sem furos.

Porém não pude deixar de assinalar que ser perfeito, hoje em dia, é quase uma obrigação para cada um de nós e... Meu Deus! Onde vamos parar assim, hein?




É engraçado, porque quando eu tinha lá meus sete, oito anos, meu maior orgulho era ser diferente de todo mundo em alguma coisa. Mesmo que fosse esquisito ou estranho, eu gostava de ser quem eu era, gostava de ser original. Eu assumia meus erros e imperfeições com o maior orgulho de todas elas, porque eu sabia que era exatamente isso que fazia de cada um único e, acima disso, sabia também que a ideia de um ser humano perfeito incluía viver sobre um mar de imperfeições próprias.

Mas crescemos. Nossas visões de mundo mudam e, enquanto somos massacrados com a ideia de não sermos bons o suficiente, acabamos aprendendo que se não formos milimetricamente impecáveis em cada detalhe da nossa essência, bem... Então, não servimos para sermos quem somos ou fazer o que queremos fazer.

Será que a gente se escuta quando pensa essas besteiras?

Acredito que crescer dessa forma é besteira; criar paranoias dentro da cabeça e viver escravo delas. Bom seria se pudéssemos amadurecer mantendo essa visão pura e realista de uma criança, mas até agora não conheço ninguém que conseguiu tal façanha. Porém não é porque, em teoria, já estamos grandes e maduros, que somos obrigados a conviver com esse fardo eterno da ilusória perfeição.

Nunca é tarde para criar uma revolução moral e rever a forma como nós enxergamos as coisas a nossa volta. Afinal, talvez tenhamos, sim, a obrigação de sermos os melhores. Não em tudo como costumamos cobrar, mas sermos os melhores que nós podemos ser. Mesmo que seja bizarro, mesmo que seja estranho.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Livro novo



Tão bom recomeçar.

Ah, essa vibe começo de ano é tão gostosa. Você, seu melhor amigo, seu vizinho, seus parentes e até seu cachorrinho estão animados, fazendo mil e um planos e resoluções para esse ano que se inicia. Corações ao redor do mundo desejam paz, amor, saúde, felicidade, sucesso e uma chuva de positividade sobre a vida.

Mas é tudo tão igual. O dia ainda tem 24 horas, a semana sete dias e o ano - se não bissexto -  é uma infinidade de 365 dias. Olhe para o céu agora... Ele ainda é azul. E você não pode enxergar o ar que está respirando nesse exato momento. Mas, se você quer realmente achar algo que deveria estar diferentes, então desvie os olhares do céu e procure um espelho.

Você. Você é o seu único meio de mudança nesse ano que acaba de começar. Então, ouse! Saia dessa caixa que você estruturou para si no ano anterior e crie uma caixa nova (por que não?). Mas, por favor, faça uma caixa com uma tampa sempre aberta para novidades, porque mudar é fundamental e conhecer o que é alheio a nós mesmos enriquece a alma.

Dizem por aí que a vida acontece, mas o que quase ninguém conta é que ela acontece do jeito que se deseja enxergá-la. Nesse novo ano, coloque a tão almejada positividade para dentro de si e enxergue todos os seus sonhos se tornarem realidade...

Muito bom recomeçar assim.